A NRF 2026: Retail’s Big Show, realizada em janeiro de 2026 no Javits Center, em Nova York, consolidou-se mais uma vez como o maior evento mundial de varejo, reunindo cerca de 40 mil participantes, 1 000 expositores e centenas de líderes globais para debater estratégias, tecnologias e modelos capazes de moldar o futuro do setor.
1. Inteligência Artificial como motor central da transformação
O tema absoluto da NRF 2026 foi o avanço da Inteligência Artificial (IA) e, em particular, da chamada “agentic AI”, sistemas capazes de agir autonomamente em nome de varejistas e consumidores. Grandes players de tecnologia, como Google, anunciaram iniciativas estratégicas, incluindo o Universal Commerce Protocol (UCP), um padrão aberto que facilita a integração de agentes de IA em experiências de compra, elevando o comércio baseado em IA de teoria para prática operacional.
A discussão não foi apenas sobre adoção de IA, mas sobre sua implementação prática em toda a cadeia de valor do varejo, desde previsão de demanda até personalização em tempo real, otimização de preços e automação de processos internos.
2. Experiência do cliente hiper-personalizada e sustentável
Consultorias internacionais têm reforçado que o consumidor de 2026 é mais exigente e busca experiências que combinem propósito com conveniência. A personalização orientada por dados e IA deixou de ser diferencial: tornou-se essencial para fidelização, engajamento e crescimento sustentável. Isso significa integrar dados de canais online e físicos, oferecendo interações contextualizadas que aumentem o valor percebido pelo cliente.
Além disso, temas como confiança, qualidade e responsabilidade social corporativa (ESG) apareceram nas discussões como elementos que influenciam a escolha do consumidor moderno, apontando que varejistas bem-sucedidos deverão equilibrar tecnologia, ética e propósito.
3. Lojas físicas reinventadas: do ponto de venda à experiência
A NRF 2026 também reforçou que a loja física permanece relevante, mas como centro de experiência, não apenas ponto de transação. Conceitos como espaços imersivos, integração de tecnologia in-store com o digital, e serviços adicionais (como cafés, eventos e experiências sensoriais) estão transformando o ponto de venda em destino.
Esse reposicionamento é uma resposta à crescente demanda por interações significativas, especialmente entre consumidores mais jovens, como Gen Z e Gen Alpha.
4. Operações ágeis e data-driven
Dados reforçam que varejistas vencedores em 2026 focam em decisões rápidas e orientadas por dados. Consultorias como Deloitte destacam que a capacidade de coletar, integrar e aplicar dados em tempo real é um diferencial competitivo nas áreas de estoque, precificação e logística, reduzindo custos e aumentando a eficiência operacional.
5. Pagamentos, logística reversa e novas frentes de receita
Sessões do evento, como “Profit starts at checkout”, mostraram que áreas tradicionalmente vistas como infraestrutura, como pagamentos e logística reversa, estão sendo reimaginadas como fontes de valor estratégico. A logística reversa, por exemplo, passou a ser encarada não apenas como custo, mas como oportunidade de receita e engajamento pós-venda.